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Notícias São Vicente do Sul

Seminário reúne comunidade acadêmica para discutir educação e relações étnico-raciais

Publicado em Quinta, 03 de Setembro de 2026, 17h03 | por Ascom São Vicente do Sul | Voltar à página anterior

O Campus São Vicente do Sul promoveu, nos dias 13, 24 e 31 de agosto, o I Seminário de Educação para as Relações Étnico-Raciais. Organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), o evento reuniu estudantes e servidores em quatro atividades que abordaram temas relacionados ao racismo, à educação antirracista, às desigualdades étnico-raciais e às interseccionalidades de raça, gênero e classe.

Com o tema “Consciência, vivências e interseccionalidades”, o seminário foi concebido como um espaço de encontro, reflexão, diálogo, formação e construção coletiva. A programação buscou ampliar o debate sobre preconceito, discriminação, raça, etnicidade, ações afirmativas e políticas públicas, além de discutir caminhos para transformar práticas e espaços educativos.

 

bribriDSC 9147Profª Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (ao centro) durante sua fala, acompanhada pelo prof. Márcio Sônego (à direita) e pela mediadora Izabel Barbosa (à esquerda)

 

A programação teve início em 13 de agosto, com a participação da professora, pesquisadora e intelectual negra Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, referência nacional e internacional nos estudos sobre educação e relações étnico-raciais. Integrante do Conselho Nacional de Educação, Petronilha participou da elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

A atividade contou também com a participação do professor Márcio Jesus Ferreira Sônego, do IFFar - Campus Alegrete, que apresentou uma perspectiva histórica sobre a questão racial e o racismo no Brasil, e teve mediação de Izabel Espíndola Barbosa, representante do NEABI do Campus São Borja. Entre as reflexões propostas estiveram a construção de um projeto de sociedade em que as instituições promovam pertencimento e acolhimento e a necessidade de uma educação antirracista intencional, comprometida e permanente.

O encontro também abordou o papel das pessoas brancas na construção de uma educação antirracista, a partir da escuta, da reflexão sobre privilégios e do reconhecimento dos mecanismos da branquitude que atravessam as relações sociais e institucionais.

No dia 24 de agosto, a programação contou com a palestra “Potencialidades Ancestrais Africanas”, ministrada pela professora, escritora e pesquisadora Bárbara Carine Soares Pinheiro. Doutora em Ensino de Química pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bárbara é autora de Como ser um educador antirracista, obra vencedora do Prêmio Jabuti 2024 na categoria Educação, e idealizadora da Escola Maria Felipa, apresentada como a primeira escola afro-brasileira do país. Em sua fala, defendeu uma proposta de educação que não esteja centrada em um currículo eurocêntrico, mas que reconheça e valorize diferentes culturas e identidades. “Uma educação que potencialize o que cada um é, dentro de sua própria identidade”, destacou.

Na sequência, a professora Denise Aristimunha de Lima, da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), trouxe reflexões sobre a comunicação visual e as formas como pessoas negras são representadas em imagens e narrativas que circulam na sociedade. A discussão abordou o racismo em sua dimensão discursiva, destacando como representações estereotipadas podem reproduzir desigualdades e impactar negativamente a vida da população negra. Em diálogo com as discussões sobre currículo escolar, a atividade também provocou uma reflexão sobre quais referências e perspectivas são valorizadas nos espaços educativos. A atividade teve mediação da professora Jandira Elohá Lopes.

No dia 31 de agosto, as discussões incorporaram a perspectiva da interseccionalidade, abordando as relações entre raça, gênero e classe e suas implicações na vida em sociedade. A programação da tarde contou com a participação da magistrada Karen Luise Vilanova Batista de Souza, conselheira do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), e da professora Fabiana Barcelos da Silva Cardoso, da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) - Campus Santiago. A mediação foi realizada pelas professoras Andriza Pujol de Avila e Letícia Mossate Jobim.

As convidadas trouxeram diferentes perspectivas para a discussão das desigualdades raciais, aproximando o debate dos campos do Direito e da Justiça. Entre os temas abordados esteve a trajetória histórica de leis brasileiras e mecanismos institucionais que restringiram o acesso da população negra a direitos e oportunidades, evidenciando como essas estruturas contribuíram para a produção e a manutenção das desigualdades raciais. As discussões também refletiram sobre as disparidades no acesso a oportunidades e sobre os desafios para a construção de uma sociedade mais equânime.

Voltada aos estudantes dos cursos superiores, a atividade contou com a participação do professor e pesquisador João Heitor Silva Macedo, que abordou o tema "Cultura, Educação e Ensino de História para o Combate ao Racismo: Narrativas da Lei 10.639/2003". A discussão tratou do silenciamento histórico de negros e negras e de como esse processo contribuiu para a produção do racismo epistêmico na sociedade. A partir das narrativas (auto)biográficas trabalhadas em sua tese de doutorado, o professor apresentou possibilidades de levar outras perspectivas para a sala de aula e, por meio da reflexão e do diálogo, construir uma pedagogia de combate ao racismo na educação.

Ao longo dos três dias de programação, o seminário promoveu o encontro entre diferentes áreas do conhecimento e perspectivas sobre as relações étnico-raciais. As atividades reforçaram a importância da formação e do diálogo permanente sobre racismo, desigualdades e práticas antirracistas, contribuindo para a construção de espaços educativos pautados pelo respeito à diversidade, pela equidade e pelo pertencimento.

 

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